15.11.09

Crepúsculo é ruim mesmo.

Ontem passou no Telecine a estreia de Crepúsculo, o primeiro filme da série hype infanto-juvenil, inspirado naqueles livros escritos por uma moça de nome Stephenie Meyer.
Apesar de fã da mitologia vampírica eu nunca tinha visto esse filme por preguiça mesmo. Os livros mais preguiça ainda, imagina, prefiro Monteiro Lobato.
Mas o fato é que o filme passou na TV e eu e amiguinhos nos jogamos na cama e assistimos.
O filme é uma espécie de Malhação com excesso de maquiagem. Feito pra criar identificação com as garotinhas do ginasial, que andam pensando em transar mas acham que é melhor esperar a hora certa. Santa caretice. Porque vampiros pra falar disso?
A mitologia não é reinterpretada, é destruída em função de um pastiche romântico, quadrado e poeticamente pobre.
O terror em estado primitivo de Nosferatu. O tema do amor imortal, a mítica do sangue como analogia da vida e da morte, a analogia do sexo como redenção, que por exemplo foram tão bem desenhados em metáforas visuais destruidoras em Drácula de Bram Stocker. Mesmo as releituras modernosas e luxuosas de Entrevista com o Vampiro...esquece. Crepúsculo é um filme tosco, de efeitos simplórios e risíveis em sua tentativa de seriedade.
O roteiro, carente de alguma ação interna interessante além do blablabla teenager, enfia uns vampiros do mal (!?) para criar uma ou duas ceninhas de luta. Sim, porque aqui vampiros são ou bons ou maus. Os bons aprenderam a controlar seus instintos, vivendo relativamente bem adaptados à sociedade. Claro, quem não quer viver bem adaptado à sociedade, ser popular na escola, morar numa mansão de vidro estilo Casa Vogue? Os maus não tem casa, amigos descolados, e nem tem roupas tão legais.
Talvez o filme novo da série seja melhor executado, mas a "ideologia" que permeia as histórias é de enfiar o dedo na goela.
Olha, pior do que isso, só aquele Drácula 2000, que no final revelava que nosso vampirão tinha sido Judas, lembram?
Procura uma reinterpretação interessante do mito? Acho que a série True Blood é uma opção mais inteligente. O pouco que vi, me interessou mais que a ideia tola de uma saga como Crepúsculo.

- Bi, acho que a senhora se passou no pancake darling!

23.10.09

É bucha!

Realmente andei afastado do blog nesse último mês. Mistura paradoxal de preguiça com muito trabalho, o que é sempre bom em se tratando de profissionais (bem) liberais, como eu . Mas, voltei! Voltei para aqueles amigos da internet, que tem algum interesse em saber como eu ando, notícias da minha vidinha, pelo menos da pública (Olha!... Ele tem vida pública!). Sim, porque da privada cuido eu.
Por esses dias ausentes deste espaço eu gravei o documentário Teatro Biriba: 40 anos de estrada. Filmagens em Curitibanos e Indaial. Dirigi junto com a Glaucia Grígolo e é a continuidade dos projetos que temos desenvolvido com essa cia de circo-teatro. Sempre muito emocionante, nossa amizade com a família dos Biribas e a dignidade e beleza do trabalho deles nos transforma toda vez que nos encontramos. Claro que eu atuei com eles, fazendo uma participação em Biribinha, o leiteiro do Warno. Nos últimos dias de filmagem, juntamos 4 diferentes gerações de palhaços descendentes do velho Biriba em cena, no mesmo palco. Foi demais, e o material que temos em mãos é deslumbrante. Começamos a editar em breve.
Em novembro vai ter Anjos do Picadeiro: Encontro Internacional de Palhaços em Florianópolis e vamos apresentar nossos documentários durante o evento. Esse ano esse festival vai homenagear os Biribas e o circo-teatro. Além disso, apresentarei quadros cômicos no Cabaré, um espaço de shows do encontro. Vai ser demais!

Tem muitas fotos num álbum do meu orkut! Olha lá.

10.9.09

A Morte do Palhaço


Morte digna foi a do gênio Buster Keaton. Conta-se que em seu leito de morte estavam dois enfermeiros. Um deles tocou o pulso de Buster e exclamou com tristeza: "Acho que se foi". Ao que o outro respondeu: "Temos que tocar-lhe os pés, os pés dos mortos ficam gelados".
"Os da Joana D'arc não!", falou Buster Keaton. E morreu.

7.9.09

A Hora do Coveiro #2

23.8.09

A nossa onda de amor não há quem corte

Julio Barroso foi o disc jockey, jornalista e poeta que criou a Gang 90 & As Absurdettes. Ele escrevia as letras, cantava e bolava as apresentações.

As canções da Gang 90 & As Absurdettes misturavam new wave, que Júlio tinha conhecido em suas viagens a Nova York , com inspirações beatniks e coros femininos tipo B-52s. Em 1981 eles apareceram na vanguarda paulistana tocando na discoteca Paulicéia Desvairada e se tornaram conhecidos com Perdidos na Selva, que participou de um festival da Globo. Em 83 eles eram sucesso. Emplacaram Louco Amor na abertura da novela das 8 e tocavam nas rádios o hit Telefone. O vídeo da música é uma delícia de videoarte pop.

Pena que em 1984 Júlio foi encontrado morto. Aparentemente caiu da janela do apartamento em que morava em São Paulo. Emocionante esse relato sobre ele, no radiola urbana.



20.8.09

Sam Raimi e a volta da diversão no terror

Arrasta-me para o Inferno é um divertimento terrorífico bem ao estilo trem fantasma alucinógeno de Sam Raimi.


Partindo do bom e velho mote do misticismo exótico, no caso as maldições ciganas, o diretor vai construindo suas sacadas criativas, ora partindo pro seu já conhecido cinema grand-guignol, com sequências que simpatizam com o cartoon (a cena da bigorna é clássica), obviamente uma dose cavalar de terrir, e litros de fluidos corporais nojentos. Os atores desconhecidos mantém o clima de filme B, tecnicamente turbinado pela computação gráfica e outras tecnologias que ainda nem existiam na época de suas primeiras pérolas como Evil Dead e Uma Noite Alucinante.
A bruxa da história é a mais divertida desde A Bruxa Má do Oeste que azucrinou a pequena Doroty.
Não gostei do excesso de sustos na primeira metade da história, alguns beirando o dispensável, e do ventinho maligno que me fazia lembrar de O Fim do Tempos (também conhecido como O Fim da Carreira do Cara que fez O Sexto Sentido).
Obviamente não vai agradar a "gente de cinema". Os cabeções interessados em terror com conteúdo devem esperar pelo Anticristo. Me refiro ao filme do Von Trier. Em tempos de porcarias sádicas a la Jogos Mortais e de vampiros teenagers bonitinhos, esse Arrasta-me para o Inferno é diversão pop macabra genuína, criada na mente bizarra de um digno artesão do terror.

8.8.09

A Hora do Coveiro

2.8.09

Polanski, Macbeth, 1971

Ando pensando muito nas adaptações do velho bardo para o cinema e resolvi assistir a versão de Roman Polanski para a amaldiçoada "peça escocesa".
Em Macbeth, o diretor utiliza com maestria o caráter sintético da mais breve tragédia de Shakespeare e constrói a narrativa sem rodeios, indo direto ao ponto central da ação da peça: a sequência sangrenta de assassinatos infames.
A carnificina que certamente levava o público elisabetano ao êxtase é relida em tom de grand-guignol que não ameniza a corporalidade dos assassinatos mas a traduz em efeitos realistas, próprios de uma abordagem cinematográfica. Sangue jorra aos cântaros, cabeças rolam, espadas atravessam os corpos sem pudores e sem concessões.
O surgimento do monstro da maldade, alimentado pelo veneno da ambição, surge numa atmosfera de horror. Uma variação da atmosfera que o diretor inventou em O Bebê de Rosemary, talvez ainda mais acentuada pelo medonho assassinato de sua então esposa, a bela Sharon Tate, por um bando de fanáticos religiosos comandados por Charles Manson, apenas 3 anos antes.
A ambientação é numa Escócia primitiva, brutal e selvagem. A chuva e a lama enfatizam o caráter depressivo e sombrio da fábula. Os nobres são guerreiros viris e bárbaros, que vivem um tempo de confusão entre a violência primitiva e a nobreza britânica de embalagem refinada.
As cenas com as bruxas são as melhores do filme, com destaque para a dantesca confraria que Macbeth encontra na charneca, quando volta em busca das Estranhas Irmãs para saber novas profecias. Um sabá macabro de bruxas nuas, misturando num caldeirão substâncias alucinantes que fazem Macbeth ver o futuro numa sequência de sonho psicodélico, envolvendo um parto cesareano e a célebre: "Não serás derrotado por homem nascido de mulher".
O fantasma de Banquo, o primo assassinado, também surge com potência visual na cena da festa, revelando a intimidade do diretor com a construção cinematográfica do medo, do sobrenatural e da perturbação psicológica febril (como em Repulsa ao Sexo, em que a mente doente de Deneuve cria monstros e conduz ao assassinato).
O Macbeth de Jon Finch é complexo e crível, em seu acentuado sotaque escocês. A Lady Macbeth de Francesca Annis apresenta uma contradição interessante: em sua aparência feminina e frágil, guarda a dose de perfídia necessária ao convencimento de seu marido para os crimes que se seguem. Na narrativa a transição para a loucura da rainha é aos saltos, o que demonstra de certa forma um pensamento de conexão do diretor em relação à fonte teatral da história.


Na peça de Shakespeare Lady Macbeth aparece relativamente pouco, se formos levar em consideração a fama da personagem, e sua perturbação vai sendo enfatizada pela força de suas entradas: a cena do desmaio, o perverso monólogo em que ela clama ao demônio que tire sua sexualidade para que tenha forças para o crime, a clássica cena do sonambulismo na qual ela tenta lavar o sangue imaginário de suas mãos.
As tensões entre as duas linguagens ocorrem todo o tempo, ora pendentes à teatralidade ora buscando uma certa pureza cinematográfica da ação.
Muitas das ações extra-cena da peça são mantidas extra-campo por Polanski. Por exemplo, como na peça não vemos o suicídio de Lady Macbeth em si, o que parece tentador de ser filmado. Vemos uma cena de loucura da rainha, que antecede gritos de desespero dos castelãos, o relato de um dos serviçais e depois o corpo contorcido da mulher no pátio do castelo. Entendemos que a rainha se jogou da janela da torre, pondo fim à dor de consciência que a enlouquecia.
Mas em outros momentos Polanski consegue de forma criativa tensionar as duas linguagens, a teatral e a cinematográfica, de forma a obter resultados muito fortes. Por exemplo, no texto original, antes de encontrar pela primeira vez as três bruxas, Macbeth vence uma batalha sangrenta e politicamente importante. No texto teatral, a batalha é apenas citada. Na adaptação de Polanski a batalha é construída de forma sonora. Durante os créditos iniciais, depois da primeira profecia das bruxas, a névoa toma conta da tela e ouvimos os sons bizarros da batalha: espadas, cavalos, gritos lancinantes. Ao fim dos créditos a névoa se dissipa e vemos o árido campo de batalha cravejado de pedaços de corpos e moribundos em agonia. O horrível da cena se conecta com a força do som da sequência anterior o que produz um efeito primoroso de diálogo entre o material original de Shakespeare e a adaptação para a tela.
O ponto mais curioso desse tema é também o maior desafio em uma adaptação de Shakespeare para o cinema: o monólogo interior, elemento narrativo teatral por excelência.
Como não colocar o personagem simplesmente falando sozinho, sem ação que não seja verbal (como nas adaptações com Olivier por exemplo)?
Polanski lança mão dos textos em of. O que no teatro é elocução, no filme é pensamento.O rosto de Jon Finch em primeiríssimo plano, seus olhos refletem seus pensamentos dolorosos enquanto o espectador, invandindo a mente do protagonista, escuta seus tormentos. Para enfatizar ainda mais essa opção em determinados momentos o personagem fala parte do texto e depois voltamos ao of. Claramente a opção muda a perspectiva da construção das performances. Os atores interiorizam, literalmente, os monólogos. Falam por dentro e às vezes esses pensamentos explodem em forma de palavra.
É uma espécie de pensamento em ação que resulta numa saída interessante para a adaptação, ainda que acarrete certas redundâncias interpretativas.

30.7.09

Pro Flávio

27.7.09

Eu não gosto de stand up


Por várias razões admiro meus colegas que fazem stand up comedy, os shows de humor de cara limpa. Primeiro porque é um gênero que escracha a personalidade do performer, visto que não existe aquilo que a gente chama de personagem, pelo menos no sentido mais usual do termo. Na verdade não existe caracterização, visto que a partir do momento que alguém está na frente de um monte de gente, com o adicional de um microfone ligado, obviamente encontra-se em estado de representação. Existe a construção de uma persona, digamos assim, que vai narrar pros espectadores mazelas do cotidiano em primeira pessoa. Não que um personagem tradicional não revele o ator por trás da máscara, mas isso é outro assunto.
Bom, voltando ao stand up: É preciso então simular uma espontaneidade, uma naturalização do texto e da presença, que permita uma identificação entre espectador e performer em um nível bem simples, primário mesmo. Como quando a gente se identifica com um amigo, sem muitos obstáculos, sem muita interpretação, sem poesia intermediando a relação: eu gosto e ponto.
Outro lance interessante é o texto, geralmente criado pelos atores, que na ausência da ação propriamente teatral, é o centro nervoso da performance. Daí as variações são enormes pois dizem respeito ao estilo de cada ator/redator. Atores que escrevem bem saem na frente com muita vantagem.
Outro fato admirável é o tino comercial desses colegas: é isso aí mesmo, cavando trabalho, descobrindo possibilidades de exercer a profissão. É muito digno isso. A vida não tá fácil e stand up é um gênero de produção simples que tá na moda. Sou sempre a favor do correr atrás.
Pode ser um show bem legal. Se estou no ambiente certo, geralmente um bar, vendo atores engraçados, se tomei uns uísques e estou de bom humor...e se o microfone é bom. Pode render risadas descompromissadas e entretenimento genuíno.
Mas... Eu não gosto de stand up.
Primeiro porque quase sempre imagino que tá faltando coisa: falta ação, falta luz, falta figurino, falta texto, falta música... Tá certo que o gênero é norte-americano e lá tem o Seinfeld e todos esses comediantes que foram criados nessa tradição e desenvolveram, durante anos de polimento de seus números, estilos muito próprios e marcantes. Acho que falta mesmo o hábito, e que está se criando uma prática. Bom, a começar pelo nome, o gênero não tem muito de brasileiro né? Porque o Teatro de Revista não volta à moda, hein?
Não é fácil criar um texto simples, popular, razoavelmente inteligente, pelo menos não muito grosseiro, que não seja muito "piada interna" nem muito "tirei da internet", surpreendente e ainda engraçado...e que tenha um fio de construção dramática que envolva os espectadores numa linha de ação e reação mais ou menos coerente. Desfiar piadinhas de salão (módulo gosto duvidoso) em série é fácil. Mas é tosco. O público até ri, mas convenhamos: pra fazer o público rir, sabemos todos, basta falar a palavra mágica: cocô.
Depois outra coisa, essa bem irritante: os não-atores gozadinhos. Com a moda vem esse tipo de coisa, o cara decorou os vídeos do carinha do CQC no youtube e acha que é artista. Não sabe se mover (ou não se mover) em cena. Não articula. Não dá nuances. Não olha pro público. Fala umas sequências de frases de efeito e na segunda-feira vai ser ovacionado na repartição. E a gente que estudou tantos anos pra aprender a subir num palco né?
Vou assistir uns documentários do Discovery e começar a fazer cirurgias cerebrais também, afinal eu sempre sonhei com isso: o glamuroso mundo da medicina.


10.7.09

A louca vida louca de Malcon - episódio perdido.

SEQ 1 - INT/NOITE/CASA DA ANITA

Malcon e Renato assistem TV.
MALCON
Ai, tô com uma dor de estômago.

RENATO
Vai ver que é fome.

MALCON
Não, Renato (pausa dramática)... Eu conheço a dor da fome.

FLASHBACK: Música melosa dos anos 80. Malcon criança atua numa peça da escola. Ele interpreta um improvável menino de rua: lindo, loiro e gorducho. Ele sai de trás de uma árvore de cartolina e começa um discurso emocionado sobre as criancinhas famintas do mundo. A platéia começa a rir, inclusive os pais de Malcon, a Oma (a avó que já era muito velhinha nos anos 80) e a professora. Os coleguinhas no palco também caem na gargalhada, estragando a peça. Malcon está atônito.

FIM DO FLASBACK: Uma lágrima escorre pelo rosto de Malcon. Renato revira os olhinhos e muda de canal.

FIM

9.7.09

coluna anti-social

Som & Fúria:
Primoroso o primeiro episódio da mini-série dirigida por Fernando Meirelles. Alguém me falou que talvez não tenha a mesma graça pra quem não tem alguma intimidade com o mundo do teatro. Respondi que não existe isso de mundo do teatro. O teatro é o mundo.


Funerais de Michael Jackson:
Ok, ele morreu, foi uma perda lastimável e eu fiquei muito triste. Mas chega né gente! ? A cerimônia transmitida pro mundo inteiro foi cafona e apelativa. Pra que botar a filhinha dele chorando ao microfone? E aquela família com cara de interesseira? Prova da imensa crueldade da sociedade do espetáculo.


Aniversário do Malcon:
Meu querido Flatmate vive agora seu retorno de saturno, e curte um ardente inferno astral. Pra amenizar as coisas dei de presente pra ele a caixa d'Os Trapalhões: 12 horas com o melhor do programa de TV. Quadros com espírito circense, paródias musicais, humor politicamente incorreto, os comediantes no auge da forma. Naquela mesma noite, quando eu vinha chegando em casa, escutei da rua o Malcon às gargalhadas. Legal quando o presente funciona.



La Gonga:
Não lembro direito.

4.7.09

Meu quadro novo

...era um das camisetas que eu mais gostava. Mas ficou velha. De tanto usar ficou toda desbeiçada, além de manchada de desodorante nas axilas. E, bem, o Moz não merece isso. Merece um quadro bem bonito isso sim. Então cortei a estampa e tive a idéia. Ficou lindo e agora enfeita as paredes do meu quarto. Estou planejando fazer o mesmo com uma estampa do Boris Karloff...Bom, pra quem não sacou trata-se do cartaz estilizado de algum show e contém os dizeres "There is a place reserved for me & my friends: MORRISSEY - Paramount Theater, August 22nd". Eu sei que não dá pra ler, foto do celular do Malcon...Os tais amigos do Morrissey são outros dândis dos quais só reconheço Wilde. Quem tiver pistas dos outros, por favor..e não, não, o barbudinho não é o Rubens Ewald Filho, deus me livre.

30.6.09

O Estranho Making Of de Ângelo, o Coveiro

Parte 1



Parte 2

26.6.09

Um adeus

Do Rei do Pop eu lembro do compacto que a gente trocava por tampinhas de coca-cola: de um lado Billy Jean, do outro Beat It. Lembro das muitas festinhas em que todo mundo tentava imitar o moonwalk e toda sua incrível dança. Aliás a dança de Michael era genial e seu corpo hipnótico sobre o palco. Lembro de ficar acordado até depois do Fantástico pra ver a estréia do vídeo de Thriller, marco seminal da linguagem do videoclipe, e de ficar com medo. Da voz de criança prodígio que nunca cresceu a gente nunca vai esquecer, era pura musicalidade.
Claro que eu e todo mundo vamos lembrar pra sempre também dos seus tormentos, das suas perversões (mas quem não tem as suas que atire a primeira pedra), das suas bizarras auto-mutilações, frutos da rejeição a si mesmo. Podemos apenas imaginar a dor do ídolo. Toda essa história grotesca, potencializada ao máximo pela ferocidade do mundo, enfraqueceu mas nunca apagou a arte sublime de Michael Jackson. Que artista perde o mundo, disse Nero incendiando Roma.
Acordei hoje, depois do choque de ontem, melancólico, ouvindo You Are Not Alone, uma das suas lindas baladas. A notícia da morte do performer, pouco antes do seu anunciado renascimento com disco quase pronto, shows agendados e com ingressos esgotados, me fez pensar na brevidade da vida e na ironia que é a morte. No tempo que passa, mesmo para os deuses. É um triste adeus.



24.6.09

Teatro de Quinta!

Foi um barato minha participação no Teatro de Quinta, o show de humor que está completando 5 anos de sucesso. O Seo Renato (não eu, mas o temível produtor do show) gostou e me convidou pra nova participação nos shows de agosto, que serão no TAC. E ainda pediu pra eu inventar mais dois personagens. Adorei, por que eu me diverti pra valer. Pra quem perdeu, mostro imagens do que eu aprontei nesses shows de junho:

"Vai Viver Valéria" é um programa de auto-ajuda em que Valéria atende telefonemas de pessoas com sérios problemas. A apresentadora se utiliza da metodologia do "choque de realidade" para ajudá-las a dar certo na vida. O Patrocínio é das pílulas Risotril.

Adilso é um bailarino hétero do Bolshoi. Ele não suporta a pressão e as risadinhas maldosas do público e sai do armário durante o show, assumindo corajosamente sua masculinidade.

O número final foi uma homenagem a Bollywood, e à força e alegria do povo indiano.

Um beijão pro elenco de quinta, que são piadistas de primeira e me receberam muito bem. Pro Seo Renato. E também pro Dani Olivetto, meu colega AACT (Ator Admitido em Caráter Temporário).

17.6.09

Ângelo, o Coveiro - arrebentou no FAM

Foram 4 prêmios para Ângelo, o Coveiro no Florianópolis Audiovisual Mercosul 2009:
- Melhor Ator para Renatângelo Turnes
- Melhor Vídeo pelo Júri Popular
- Prêmio Quanta de Melhor Vídeo Catarinense
- Prêmio Kodak de Melhor Vídeo Catarinense.

Pergunta se eu fiquei feliz?

11.6.09

Iggy Pop - Preliminaires

Meus amigos sabem que eu sou fã do Iggy Pop. Minha camiseta preferida é uma preta com estampa prata da capa de Iggy and The Stooges, ganhei do Marcelo. Ela é linda. Eu gosto tanto dela que sempre acho que a perdi. O Malcon fica rindo da minha cara: "Ai cadê minha camiseta do Iggy, minha camiseta do Iggy!" E ela está sempre escondida naquele amontoado de roupa que fica em cima da poltrona do quarto, sofrendo com a minha desorganização e esperando por mim.
Pois bem, baixei o álbum novo do velhinho e arrepiei. Quando a gente pensa que um artista como ele, na idade dele (uns 200?) não vai fazer muita coisa diferente do seu punk visceral e animalesco eis que ele nos mostra Preliminaires.
O disco é inspirado pelo som de New Orleans e pelo livro de Michel Houellebecq:A Possibilidade De Uma Ilha. Tem então um clima Jazz, outras vezes de chanson francesa, de Yves Montand a Piaf, o que dá um toque de puteiro dos anos 30, com aquela voz cheia de sexo do Iggy. Tem clássicos com interpretação sublime como em How Insensitive (Insensatez, de Jobim), que é de molhar de lágrimas o travesseiro.
Talvez os fãs mais puristas e nervosinhos não curtam, mas certo está o Iggy que afirmou não encontrar mais inspiração no rock e decidiu, depois de velho beber em fontes que ele considera mais puras.
Iggy, eu te amo.

2.6.09

A hora do Ângelo!

Escrevi um texto sobre o Ângelo, O Coveiro - lá no Blog da Vinil.
Aguardo todo mundo na super festa de lançamento!

31.5.09

Hysteria

O Palco Giratório do SESC trouxe pra Floripa a montagem paulista Hysteria, da Cia XIX. O espetáculo arrebentou no Festival de Curitiba há uns 4 anos atrás e de lá pra cá tem recebido críticas elogiosas por todo canto. Realmente o espetáculo faz jus às expectativas. Pensada para espaços não convencionais (em Floripa no Forte Santa Bárbara), sem qualquer recurso de efeito cênico, a montagem é conduzida por cinco atrizes que nos levam para o interior de um sanatório de fins do séc. 19. O público é divido em homens prum lado, mulheres por outro. As mulheres ocupam o papel de outras pacientes do hospício. Os homens são voyeurs. A simplicidade da montagem revela profundidade poética na medida em que as atrizes conduzem as espectadoras ao jogo da cena com suavidade, muito longe da imagem bruta e constrangedora do que se chama teatro "interativo". A interação é real, um acordo feminino e, nas melhores passagens, está organicamente relacionada ao texto e às ações das personagens. O texto é uma colagem diversa de relatos verídicos, poemas do séc. 19, criações do grupo, textos médicos e científicos, organizados na forma de relatos emocionais e sinceros. Emoção e graça percorrem a sala, quando percebemos que os limites entre ator e espectador são constantemente tensionados e nos envolvemos no trabalho denso (mas nunca aborrecido) e delicado das atrizes. Elas se comunicam com o público todo o tempo, estabelecendo cumplicidade, arrancando lágrimas e risos, despertando vontades e desejos, antes femininas que feministas, antes mulheres que atrizes. Espetáculo de construção sensível e coerente, que nega o excesso de formalismo em favor de uma emoção livre, e cria laços profundos entre cena e público. Lindo.



23.5.09

Mulher Objeto: pornochanchada cabeça


Ganhei de presente do querido Tio Fê (Fernando Leão da Montanha) uma preciosa cópia de Mulher Objeto, uma das minhas pornochanchadas preferidas. O filme é de 1981 e curiosamente é dirigida por Silvio de Abreu (sim, o autor de telenovelas). É digamos assim uma pornochanchada pretensiosa em tons freudianos: Mulher bem casada (Helena Ramos) não sente prazer com o marido (Nuno Leal Maia, no auge da forma). Mas entrega-se a fantasias eróticas com qualquer homem que aparece pela frente. Tudo no plano da imaginação. Mesmo nas fantasias o prazer vem acompanhado por dor e repulsa. Atormentada, ela procura ajuda na psicanálise, através da qual vai descobrindo a origem familiar de seus traumas sexuais. Essas descobertas vêm em tom de suspense com cenas ao estilo Hitchcock, com música chupada de Psycho e tudo, e muitos simbolismos e metáforas simples. Resumindo: uma pornochanchada levada a sério, cheia de justificativas sub-textuais, com cenas bem filmadas e o característico "não-explícito". Dessa vez me saltou aos olhos (e ouvidos) a técnica de dublagem perfeita de Yara Amaral (lembra da atriz que morreu no Bateu Mouche? Ela está excelente como a mãe da protagonista). Naquela época som direto era uma prática pouco usual no Brasil e ator de cinema tinha que saber dublar. Cenas antológicas: o estranho fellatio com o encanador e a "cavalgada poética" , só vendo pra entender. Adorei Tio Fê. Lembranças de uma época fundamental do cinema brasileiro.

20.5.09

Palhaços Assassinos do Espaço Sideral

"Eles estão mortos! Mortos! Foram aqueles palhaços assassinos. Nós vimos uma tenda de circo cair do céu, nós entramos nela e...é como uma nave espacial e.. eles estavam mortos, em uma espécie de...de cocoon de algodão-doce! É verdade! Help us! Eles são palhaços assassinos do espaço sideral...e tem armas de pipoca."

É mais ou menos assim que o mocinho de Killer Klowns from Outer Space (Chiodo Brothers, 1988) tenta fazer os moradores de uma pacata cidadezinha americana acreditarem em seu relato. Claro que ninguém acredita, até eu e o Malcon, meu parceiro de aventuras cinematográficas bizarras, demoramos pra acreditar no longa dos irmãos Chiodo.
Mas é isso mesmo, um bando de palhaços macabros cai na terra e elimina uma cidadezinha inteira com suas armas hilariantes. Tem de tudo do universo lúdico clownesco, sob uma ótica terrorífica: o supra-citado coccon de algodão-doce, pipocas assassinas, um sinistro número de sombras com as mãos, trapalhadas mórbidas, carro-de-palhaço superlotado, tortada fatal, número de ventriloquismo sanguinolento...
Digamos que é uma espécie do supra-sumo do trash com bom orçamento. Efeitos especiais ora propositalmente toscos, ora até bem-feitos (que os Chiodo Brothers treinam desde pequenos, como mostra os early-movies nos extras do bem equipado DVD), atores canastras, cenários alucinógenos hipercoloridos e um clima saboroso de fantasia macabra.
Sabemos que um palhaço pode guardar uma estranha aura de malignidade não é? De alguma forma a fantasia toca nesse medinho de palhaço que muita gente tem, e o leva as últimas (in)consequências. Demência!
Ah! O DVD foi adquirido na Cérebro, eterna fonte de bizzarias.

18.5.09

Superstar

Até que me provem o contrário, nunca existiu voz mais triste que a de Karen Carpenter. E tenho dito.

15.5.09

Blacula!

Pérola máxima do cinema Blacksploitation, mercantilização do movimento Black Power americano que criou coisas como Shaft, por exemplo. O longa de 72 se inspira no mito de Drácula para criar uma fantasia sobre um vampiro (na verdade um príncipe africano vampirizado pelo verdadeiro Conde da Transilvânia) que apavora a comunidade black de Nova York em busca da reencarnação de sua amada. É realmente muito tosco, mas vale pra ver de onde saíram todos os estereótipos de raça que vemos hoje na mídia. Claro, tem um clima de exaltação da beleza, ritmo e força afrodescendente. A melhor sequência é a da boate, com The Hues Company mandando ver, desfile de beldades e dançarinos arrasando na pista. Blacula chega no baile e ninguém repara na sua roupa cheia de babados...porque todo mundo tinha babados naquela época. Ah! E sim, eu tenho o DVD.

11.5.09

método carão de interpretação

Lição 1 - I'm ready for my close-up, Mr. De Mille (História do Carão I)

Gloria Swanson é Norma Desmond em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard), Billy Wilder, 1950.

Lição 2 - Introdução ao Bette Davis Eyes ( Seminários Performáticos)

Bette Davis é Margo Channing em A Malvada (All About Eve), Joseph L. Mankiewicz, 1950.


Lição 3 - Estapeamento de portador de necessidades especiais (nível avançado).

Bette Davis é Jane e Joan Crawford é Blanche em O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?), Robert Aldrich, 1962.

8.5.09

Eu, personagem

O que se chama personagem é uma escolha consciente de formas, uma criação artificial e visível guiada por um roteiro, texto ou idéia. Ele existe sob o ponto de vista do espectador que se envolve na ilusão da ficção. Mas para o ator, personagem é ferramenta, não criatura. Para o intérprete o que se chama personagem é justamente a tensão polimórfica entre o que o ator é e essa forma inventada. Para o ator não existe personagem, no sentido romântico de ser independente, com vida própria...não existe isso de "ele faria assim, ele nunca diria isso...", isso é balela mediúnica. Existe a pessoa-ator vivendo uma situação física e psicológica inventada. Isso pode parecer aos mais ingênuos uma simplificação excessiva, uma limitação. Então todos os personagens vão se parecer demais com o ator? Seu trabalho não terá diversidade, será limitado? A questão é que parecer não é ser. O que aos olhos dos outros parecemos nunca é o que verdadeiramente somos. Um ator cria formas para alcançar o que não se vê. O personagem traz à tona o homem por trás das ações, algo que já existe mas esquecemos, e que é muito diferente de nossa persona social. Sempre falo na primeira pessoa: atuo no limite, na região fronteiriça entre eu mesmo e a ficção. Atuar não se trata de mascaramento, mas de desnudamento. Um ator não se esconde atrás de um personagem-máscara que o domina, ao contrário, ele domina as ferramentas técnicas necessárias para revelar a si mesmo, sempre novo, através daquilo que o espectador vê como "o personagem". Aí reside o paradoxo: o trabalho de um ator está em ser, nunca em parecer.

7.5.09

Bergman, Sonata de Outono

Eva (Liv Ullman) é uma introvertida dona-de-casa, que vive numa cidadezinha do interior da Noruega com seu marido, um pastor protestante. Charlotte (Ingrid Bergman) é a mãe, uma pianista famosa, mulher cosmopolita e esfuziante. Há 7 anos mãe e filha não se encontram. Sonata de Outono, obra-prima de Ingmar Bergman, acompanha o reeencontro das duas mulheres e nos conduz pelo dilacerante acerto de contas que se segue.

O diretor constrói o filme a partir do irretocável desempenho das atrizes, que vão revelando gradativamente o turbilhão interior de suas personagens. Liv Ullman é a encarnação do drama bergmaniano, sua Eva é um poço de sentimentos acumulados e dores esquecidas, que busca no confronto com a mãe alguma espécie de libertação. Ingrid Bergman, em seu derradeiro trabalho no cinema, consegue de maneira virtuosa alcançar, em closes milimétricos, a dose exata de culpa, rancor e ausência que move sua personagem.
Duas sequências magistrais não saem da cabeça. Numa delas mãe e filha revezam-se ao piano e tocam um Prelúdio de Chopin. Enquanto sua mãos executam a música seus rostos nos levam para dentro delas e para a tragédia de suas vidas. A mãe é uma artista capaz de entender as entrelinhas mais sutis do compositor, mas incapaz de perceber a filha como igual, depositando nela o peso de suas enormes imperfeições. O fracasso de uma é a vitória da outra. Depois, durante a noite, mãe e filha travam o violento diálogo que as conduz ao passado, às memórias dolorosas da infância e às tragédias do presente. Eva explode, gritando por ajuda. Charlotte envelhece a cada plano, tomada pela culpa e o arrependimento.
Filme adulto e amargo, muitas vezes claustrofóbico e angustiante, é perfeitamente condensado em 90 minutos de ação interior ininterrupta. O que poderia ser intransponível, é denso mas envolvente. A música jamais é um elemento melodramático, nunca serve para enfatizar emoções, mas perfaz uma função poética e sensorial. A luz é outonal, seca e amarelada. As atrizes atingem algo de dolorosamente sublime. O fim é cruel, nada redentor. Obra que dura por dias após assistirmos e equivale a muitas sessões de análise.

5.5.09

Dr. Jekill and Mr. Hyde - 2 versões

Assisti a edição dupla em DVD, com as versões clássicas em P&B de O Médico e o Monstro.

No lado A, a versão de 1932 com Fredric March dando um show de composição que lhe valeu o Oscar daquele ano (fato raríssimo em se tratando de uma obra de cinema fantástico). O filme de Rouben Mamoulian adapta a novela de Stevenson com muita inventividade. Apesar do natural excesso de teatralidade nas interpretações e diálogos, o filme brinca com a linguagem cinematográfica em deliciosos truques artesanais (como a subjetiva da sequência inicial, com o clássico truque do espelho falso), transições de cena que lembram a linguagem dos quadrinhos, cenários grandiosos, belas sombras expressionistas e cenas de forte apelo sexual (sempre muito elegantes e metafóricas). E as cenas de transformação são no mínimo surpreendentes. Descontando-se o excesso de baton e lápis de olho, Fredric March cria um Mr. Hyde animalesco, meio símio, engraçado e assustador, com uma movimentação explosiva, cheia de energia, em contrastes com a contenção classuda de Dr. Jekill. Bela obra, que na época chocou as platéias.

No lado B, o filme de 1942 reconta a história dessa vez dirigida por Victor Fleming, o criador de ...E o Vento Levou. O diretor segue a cartilha do cinema clássico americano o que resulta numa linguagem mais quadrada, ainda que algumas sequências da versão anterior tenham sido literalmente reproduzidas. Muito fog londrino, pouca atenção ao efeitos especiais e um elenco estelar, que salva a obra do marasmo: O astro Spencer Tracy nos dá uma interpretação moderna para a época, mais realista e sem os exageros de March. A caracterização de seu Mr. Hyde é sutil, guardando a transformação para um plano mais interior (nessa época a psicanálise já invadia as abordagens para a história). Lana Turner faz a dondoca doce e compreeensiva, a amada virginal do Dr. Jekill, e compensa a chatice da personagem com sua fotogenia deslumbrante. Quem rouba a cena é Ingrid Bergman, esbanjando personalidade e carisma como a mulher mundana, vítima fatal do algoz Mr. Hyde. O jogo de sedução entre ela e Tracy, cheio de diálogos ousados de duplo sentido, deve ter corado a platéia dos anos 40. Hoje nos lembra do talento imortal de uma deusa.

3.5.09

Mozz (ainda e sempre)


PERGUNTA - Se você ficasse feliz, teria menos a dizer?
MORRISSEY - Estou disposto a correr esse risco.

em recente entrevista a Benoite Sabatier, publicada na revista francesa Technikart e reproduzida no caderno MAIS da Folha de 15 de março.

30.4.09

Edward Hopper - Hotel Room